O time que
parou o Santos de Pelé
O Santos era campeão paulista de 1955/56 e
58, e começava a se revelar com um dos maiores times da história do
futebol. Uma máquina que não se importava em tomar gols, pois sabia
que era capaz de marcar muitos mais. O Palmeiras tinha sido campeão
paulista em 1950 e disputara um campeonato com a regularidade de
quem não está com tudo, mas está com muita vontade. Uma defesa
muito segura que dava a tranqüilidade para o ataque marcar os gols
necessários para a vitória do clube. Para o Santos era a repetição
de um ato que já estava virando rotina. Para o Palmeiras, a
oportunidade, rara nos últimos anos, para sair da fila de espera
que estava incomodando.
Quando terminou o campeonato, no dia 30 de
dezembro de 1959, os paulistanos ainda não conhecia o campeão
paulista. Santos e Palmeiras, depois de trinta e oito rodadas,
terminaram empatados na liderança com sessentas e três pontos
ganhos. A Federação Paulista de Futebol decidiu por uma melhor de
três para se conhecer o campeão da temporada. Se dependesse apenas
de cartaz, o Santos teria sido campeão sem nenhuma disputa extra.
Entretanto, pelo que fez durante o campeonato, o Palmeiras
justificava suas pretensões em lutar pelo título. Às vésperas da
decisão, a situação era de equilíbrio. Os santistas tinham o melhor
ataque com 151 gols e o artilheiro do campeonato, Pelé, com 44
gols. Os palmeirenses tinham a melhor defesa sofrendo 32 gols. O
Santos tinha prestígio internacional e era alvo da admiração que
atribuía a seus ídolos. O Palmeiras tinha uma torcida que gritava
desesperadamente por um título que há nove anos vinha lhe sendo
negado.
O primeiro jogo foi realizado no dia cinco de janeiro de 1960. O
Santos tinha dois problemas: Jair da Rosa Pinto e Pagão,
contundidos. O treinador Lula deslocou Urubatão para lugar de Jair,
fazendo entrar Feijó na zaga. Para substituir Pagão, entrou um
jovem de dezesseis anos de idade chamado Coutinho. O time santista
jogou com Laercio. Getulio. Dalmo. Formiga e Feijó. Zito e
Urubatão. Dorval. Coutinho. Pelé e Pepe. O Palmeiras não tinha
problema e jogou com Valdir. Djalma Santos. Waldemar Carabina.
Aldemar e Geraldo Scotto. Zequinha e Chinezinho. Julinho. Romeiro.
Américo e Géo. Aos 22 minutos do primeiro tempo Pelé abriu a
contagem no Pacaembu. O Palmeiras empatou aos 32 minutos através de
Zequinha. O publico que bateu o recorde de renda no campeonato,
saiu reclamando de marmelada. O empate decidiu que haveria mais
dois jogos, independente do resultado da segunda partida.
No dia oito aconteceu mais um jogo ainda no Pacaembu. No Santos,
Jair e Pagão continuavam de fora. No Palmeiras, o técnico Osvaldo
Brandão colocou Nardo no lugar do ponteiro Géo. O jogo foi uma
repetição melhorada do primeiro. Aos 44 minutos, cobrando um
pênalti, Pepe abriu a contagem. No segundo tempo, logo aos 2
minutos, Romeiro empata e aos 3 Chinezinho faz 2x1 para o
Palmeiras. Aos 40 minutos, novo penalti contra o Palmeiras e novo
gol de Pepe. Fim de jogo e mais um empate que deixava os dois
clubes em igualdade de condições para decidir o campeonato na
terceira partida.
O Santos fez voltar ao time, Jair da Rosa Pinto e
Pagão que tinha se casado e estava em lua de mel na cidade de Poços
de Caldas. Ele voltou correndo para jogar a decisão. E logo no
inicio da partida, Pagão cabeceia a bola para Pelé que marca o
primeiro gol. Eram 12 minutos do primeiro tempo. Logo depois, Pagão
era atingido por Aldemar que ficou em campo fazendo numero. Jair
também não fazia uma boa partida e o Santos perdia a agressividade
no ataque e a harmonia do meio do campo. Enquanto isso, Chinezinho
tomava conta do jogo e Aldemar de Pelé. A única coisa que faltava
ao Palmeiras era sorte. Romeiro chutou bolas na trave. Aos 42
minutos o futebol de Chinezinho supera a falta de sorte. No meio
campo, ele desarma Pelé, e passa rápido a Romeiro, que experimenta
o gol da entrada da área. Formiga corta mal e a bola sobra para
Julinho que empata o jogo.
No segundo tempo, aos 3 minutos, o juiz Anacleto Pietrobom marca
uma falta de Zito em Zequinha perto da área santista. Romeiro
ajeitou a bola na meia lua. Cinco jogadores na barreira. Romeiro
corre e chuta forte. A bola passa pela barreira e entra no ângulo
esquerdo do goleiro Laércio. O Palmeiras dominou o jogo e ainda
teve mais duas bolas na trave do Santos. Terminou a partida e o
Palmeiras era o campeão paulista de 1959. A torcida comemora nas
ruas o titulo que veio nove anos depois.
FICHA TÉCNICA DO JOGO
DECISIVO
Palmeiras 2 x 1
Santos
Data:
10/01/1960
Renda: Cr$
3.076.375,00
Local:
Estádio Paulo Machado
de Carvalho (Pacaembu), em São Paulo (SP)
Palmeiras: Valdir; Djalma Santos, Valdemar e
Geraldo: Zequinha e Aldemar; Julinho, Nardo, Américo, Chinesinho e
Romeiro. Técnico: Osvaldo Brandão.
Santos: Laércio; Urubatão, Getúlio e Dalmo; Zito e
Formiga; Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe. Técnico:
Lula.
Árbitro: Anacleto Pietrobom
Gols: Pelé, aos 13 minutos, e Julinho aos 41 do
primeiro tempo. Romeiro aos 2 minutos da etapa final.
(do Site Palestrinos)
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